Se você guarda dinheiro no banco digital, provavelmente já se fez essa pergunta: afinal, onde o meu dinheiro rende mais em 2026 — na Caixinha do Nubank ou no Cofrinho do Mercado Pago? As duas ferramentas são as queridinhas de quem quer fazer o dinheiro parado render sem complicação, e a disputa entre elas nunca esteve tão acirrada.
Com a Selic em 14,50% ao ano e o CDI rodando na casa dos 14,40%, qualquer dinheiro deixado na conta-corrente ou na poupança está literalmente perdendo uma das melhores janelas de renda fixa dos últimos anos. E tanto Nubank quanto Mercado Pago sabem disso: os dois travam uma guerra de percentuais do CDI — 100%, 115%, 120% — para convencer você a deixar o dinheiro com eles.
O problema é que os números parecidos escondem diferenças importantes: limites de valor, exigência de movimentação mensal, assinatura paga, proteção do FGC e regras que mudam de tempos em tempos. Quem olha só o “percentual do CDI” da propaganda pode acabar escolhendo a opção errada para o próprio bolso.
Neste artigo, você vai entender como cada um funciona em 2026, ver uma simulação real de quanto rendem R$ 5.000 em 12 meses em cada cenário e descobrir qual faz mais sentido para o seu caso — com direito a calculadora gratuita para simular os seus próprios valores.
Como funciona a Caixinha do Nubank em 2026
A Caixinha do Nubank é a forma mais popular de guardar dinheiro separado da conta no banco roxo. Na versão padrão, o dinheiro fica aplicado em um RDB (Recibo de Depósito Bancário) que rende 100% do CDI, com liquidez imediata: você resgata a qualquer momento, inclusive fins de semana, direto pelo aplicativo.
Em 2026, o Nubank também oferece a Caixinha Turbo, que paga 115% do CDI para clientes que movimentam pelo menos R$ 900 por mês na conta — e pode chegar a 120% do CDI para assinantes de planos como NuCel e Nubank+. O detalhe que muita gente esquece: o rendimento turbinado vale apenas até um teto de aplicação (em torno de R$ 5.000). O que passar disso volta a render o percentual padrão.
Sobre a tributação, vale a regra clássica da renda fixa: Imposto de Renda regressivo, que começa em 22,5% sobre o rendimento (até 180 dias) e cai até 15% (acima de 720 dias). Resgates antes de 30 dias também pagam IOF. Ou seja: quanto mais tempo o dinheiro fica, menos imposto você paga.
Como funciona o Cofrinho do Mercado Pago
O Cofrinho é a resposta do Mercado Pago — e em 2026 ele tem feito barulho. Na versão básica, o dinheiro guardado rende 100% do CDI com liquidez diária. Já a versão turbinada paga 120% do CDI para quem assina o Meli+ (o clube de assinatura do Mercado Livre) ou cumpre a regra de movimentação mensal em torno de R$ 1.000, também com teto de valor para o rendimento extra.
No início de 2026, o Mercado Pago chegou a lançar uma campanha relâmpago de 140% do CDI nos Cofrinhos para assinantes Meli+, válida entre março e abril, limitada a R$ 10 mil por CPF. A promoção acabou, mas serve de alerta: essas taxas turbinadas são promocionais e mudam com frequência — sempre confira no app a taxa vigente e as condições antes de transferir seu dinheiro.
Uma diferença estrutural importante: o dinheiro do Cofrinho não vai para um RDB, e sim para um fundo que investe em títulos públicos atrelados ao Tesouro Selic. Isso muda a camada de proteção do seu dinheiro, como você vai ver mais adiante.

Comparativo na prática: quanto rendem R$ 5.000 em 12 meses
Vamos ao que interessa. Considerando o CDI em torno de 14,40% ao ano e o Imposto de Renda de 17,5% para resgate após 12 meses, veja quanto R$ 5.000 viram em um ano, já líquidos de imposto, em cada cenário:
Poupança (isenta de IR, ~8,3% ao ano): cerca de R$ 5.415
Caixinha Nubank ou Cofrinho a 100% do CDI: cerca de R$ 5.594
Caixinha Turbo Nubank a 115% do CDI: cerca de R$ 5.683
Cofrinho Meli+ ou Caixinha a 120% do CDI: cerca de R$ 5.713
As conclusões saltam aos olhos. Primeiro: qualquer uma das duas opções deixa a poupança no chinelo — a diferença passa de R$ 180 no ano para cada R$ 5.000, mesmo com a poupança sendo isenta de IR. Segundo: entre 100% e 120% do CDI, a diferença líquida é de cerca de R$ 119 por ano nesse valor. É dinheiro, mas não é mágica — não vale, por exemplo, pagar uma assinatura cara só para destravar a taxa turbinada se você não usaria o serviço de qualquer forma.
Terceiro ponto: no duelo direto das versões turbinadas, o Cofrinho Meli+ a 120% do CDI leva vantagem sobre a Caixinha Turbo a 115% — mas o Nubank empata quando o cliente tem NuCel ou Nubank+, que também pagam 120%. Na prática, a melhor escolha depende de qual ecossistema você já usa.
Segurança: FGC de um lado, Tesouro Selic do outro
Aqui está a diferença mais importante — e menos comentada — entre os dois. A Caixinha do Nubank (RDB) tem proteção do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, que cobre até R$ 250 mil por CPF por instituição em caso de quebra do banco. É a mesma proteção de um CDB tradicional.
O Cofrinho do Mercado Pago não tem FGC. Em compensação, o dinheiro é aplicado em títulos públicos federais via Tesouro Selic — considerados o investimento mais seguro do país, pois o risco é do próprio governo brasileiro. São duas formas diferentes de segurança, ambas sólidas para o investidor comum. Mas quem faz questão da garantia formal do FGC tende a se sentir mais confortável no modelo do Nubank.
Limites, regras e pegadinhas das taxas turbinadas
Antes de decidir, anote as letras miúdas que derrubam o rendimento prometido. Tetos de valor: as taxas de 115% a 120% do CDI valem só até determinado montante (R$ 5 mil a R$ 10 mil, conforme a regra vigente); o excedente rende menos. Movimentação mensal: se você não cumprir o giro exigido (R$ 900 no Nubank, cerca de R$ 1.000 no Mercado Pago), perde o turbo no mês. Assinaturas: Meli+, NuCel e afins têm custo — coloque esse valor na conta antes de comemorar a taxa maior. Promoções com prazo: campanhas como a de 140% do CDI começam e terminam; a taxa que você vê hoje pode não ser a de daqui a três meses.
A boa notícia é que nada disso exige decisão definitiva. Os dois têm liquidez imediata e zero taxa de administração, então você pode testar, comparar o rendimento real no extrato e mudar de lado quando quiser — sem multa e sem burocracia.
Afinal, qual escolher em 2026?
Se você já é cliente Nubank e movimenta a conta todo mês, a Caixinha Turbo a 115% do CDI (ou 120% com NuCel/Nubank+) com proteção do FGC é uma escolha excelente e sem custo extra. Se você compra com frequência no Mercado Livre e já assina (ou pretende assinar) o Meli+, o Cofrinho a 120% do CDI tende a entregar o maior rendimento líquido para valores dentro do teto.
E se você não quer depender de regra nenhuma, mesmo o rendimento padrão de 100% do CDI em qualquer um dos dois já garante quase o dobro da poupança no acumulado do ano com a Selic atual. O pior erro em 2026 não é escolher “o segundo melhor” entre Nubank e Mercado Pago — é deixar o dinheiro parado sem render.
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