CDB de 110% do CDI em junho de 2026: ainda vale a pena com as novas regras do FGC?
O CDB voltou ao centro das conversas em junho de 2026, e por um motivo bem específico: a nova Resolução CMN 5.238/2025, que passou a valer este mês, mexeu nas contribuições dos bancos ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e está pressionando as taxas oferecidas ao investidor. Em meio a isso, a pergunta que mais aparece nas buscas hoje é direta: um CDB de 110% do CDI ainda compensa, ou os números mudaram tanto que precisamos repensar a estratégia?
A resposta curta é que, com a Selic em 14,5% ao ano e o CDI em torno de 14,40%, um CDB de 110% do CDI entrega aproximadamente 15,84% ao ano brutos — número que, em qualquer outro cenário, seria considerado excepcional. Mas o diabo, como sempre, mora nos detalhes: imposto de renda regressivo, prazo de carência, liquidez, segurança do emissor e o impacto da nova regulação na oferta de papéis com taxas mais altas. É esse conjunto que vamos destrinchar nas próximas linhas.
A boa notícia é que você não precisa fazer essa conta no guardanapo. O simulador de CDB do Simula Dinheiro calcula em segundos quanto rende um CDB indexado ao CDI, com imposto, prazo e taxa personalizados — exatamente o que você precisa pra comparar com a Caixinha Nubank, o Tesouro Selic e a velha poupança.
Antes de seguir, vale lembrar: este post não é recomendação de investimento. É um guia educativo pra você entender o que cada percentual do CDI significa na prática, em quais situações o CDB de 110% se sobressai e quando outras alternativas batem ele de lavada.
O que é um CDB indexado ao CDI
CDB é a sigla de Certificado de Depósito Bancário. Quando você compra um CDB, está, na prática, emprestando dinheiro a um banco em troca de uma rentabilidade contratada. O banco usa esse dinheiro pra financiar suas operações de crédito — e, em troca, devolve seu valor corrigido por uma taxa.
A grande maioria dos CDBs hoje é pós-fixada e atrelada ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que é uma taxa que anda colada na Selic. Quando um banco oferece um CDB de “110% do CDI”, ele está dizendo: “vou te pagar 10% a mais do que a taxa CDI”. Em junho de 2026, com CDI a 14,40% ao ano, isso significa um retorno bruto anual de cerca de 15,84%.
O ponto mais importante, e que muita gente esquece, é que esse rendimento sofre imposto de renda na fonte, na tabela regressiva. Quem resgata em até 180 dias paga 22,5%. De 181 a 360 dias, 20%. De 361 a 720 dias, 17,5%. E acima de 720 dias (dois anos), apenas 15%. Ou seja: o CDB recompensa quem deixa o dinheiro lá por mais tempo.
Quanto rende, na prática, um CDB de 110% do CDI
Vamos a uma simulação concreta, usando os números de junho de 2026. Considere uma aplicação de R$ 10.000 em um CDB que paga 110% do CDI, mantida por um ano:
- Rendimento bruto anual: aproximadamente 15,84%.
- Valor bruto ao fim de 12 meses: cerca de R$ 11.584,00.
- Imposto de renda (faixa de 17,5% sobre os R$ 1.584 de ganho): aproximadamente R$ 277,20.
- Valor líquido recebido: R$ 11.306,80, o que equivale a um rendimento líquido em torno de 13,07%.
Se esse mesmo dinheiro fosse para a poupança, com o teto regulatório atual (cerca de 0,5% ao mês + TR), o resgate de um ano ficaria perto de R$ 10.617. A diferença líquida entre os dois caminhos é de aproximadamente R$ 690 em apenas 12 meses — e cresce de forma exponencial em prazos mais longos.
O recado é claro: em juros nominais elevados como os de hoje, qualquer aplicação que pague pelo menos 100% do CDI já bate a poupança com folga. E acima de 110% começa a fazer cócegas nos investimentos mais agressivos sem assumir o risco da renda variável.
O que mudou em junho de 2026: a Resolução CMN 5.238/2025
A novidade que mexeu com o mercado neste mês é a Resolução CMN 5.238/2025, que entrou em vigor em junho de 2026. Em resumo, ela dobra a contribuição adicional dos bancos ao FGC e amplia o número de instituições obrigadas a recolher essa contribuição.
Na prática, o custo de captação dos bancos médios e pequenos — justamente os que costumavam oferecer as taxas mais agressivas, como 120% ou 130% do CDI — subiu. E quando o custo de captação do banco aumenta, a primeira coisa que ele faz é reduzir a taxa oferecida ao investidor pra manter a margem.
O resultado já está sendo notado: CDBs que pagavam acima de 130% do CDI estão sumindo das prateleiras, e a faixa de 105% a 115% virou a nova normalidade pra quem busca liquidez e segurança. É por isso que um CDB de 110% do CDI, que até pouco tempo atrás era visto como “razoável”, agora passa a ocupar um espaço de destaque entre as melhores opções líquidas e com FGC.
CDB de 110% do CDI versus Caixinha Nubank em 2026
Outra dúvida que aparece toda hora nas buscas: o CDB de 110% do CDI rende mais que a Caixinha Nubank? A resposta depende de quem você é dentro do ecossistema Nu.
A Caixinha Nubank “tradicional” rende 100% do CDI. A Caixinha Turbo pode chegar a 120% do CDI, mas apenas para clientes Ultravioleta, Nubank+ ou NuCel que cumpram regras de movimentação e renovem a aplicação a cada 12 meses. Pra quem não se enquadra, a taxa cai para 105% ou 110% do CDI.
Comparando lado a lado uma aplicação de R$ 10.000 mantida por um ano:
- Poupança: cerca de R$ 10.617 (rendimento líquido).
- Caixinha Nubank 100% CDI: aproximadamente R$ 11.222 líquidos.
- CDB de 110% do CDI: aproximadamente R$ 11.307 líquidos.
- Caixinha Turbo 120% CDI (para quem tem direito): aproximadamente R$ 11.392 líquidos.
A diferença entre o CDB de 110% e a Caixinha tradicional é pequena em valor absoluto (cerca de R$ 85), mas existe. E o CDB tem uma vantagem estrutural: as melhores taxas estão sempre nos bancos médios, que precisam pagar mais pra captar. Já a Caixinha Nubank, por mais prática que seja, é limitada à oferta do próprio Nu.
Quer simular o seu cenário com seus próprios números? Use o comparativo Poupança vs Selic vs Nubank e a calculadora de investimento CDI em paralelo. Em menos de um minuto você consegue ver quanto cada caminho rende com o seu aporte real.
Quando o CDB de 110% do CDI vale a pena (e quando não)
Pra fechar com a parte mais útil, aqui vai um checklist rápido para você decidir se o CDB de 110% do CDI é o caminho certo agora:
Vale a pena quando: você tem um prazo claro para o dinheiro (ideal acima de 360 dias, pra cair na faixa de IR de 17,5% ou menos); você se incomoda com a poupança rendendo metade do CDI; o banco emissor tem boa nota de risco e o valor aplicado cabe nos R$ 250 mil garantidos pelo FGC; e a oferta tem liquidez diária ou prazo compatível com seu objetivo.
Não vale a pena quando: você precisa do dinheiro em menos de 30 dias (a poupança aniversária ou a Caixinha Nubank ganham, porque você não paga IOF nem entra na pior faixa de IR); o CDB tem carência longa e você não tem outra reserva; o banco é desconhecido e você está perto do teto do FGC; ou quando aparecer uma LCI/LCA isenta de IR pagando 95% ou mais do CDI — nesse caso, o líquido costuma superar o CDB.
Vale lembrar também que um CDB de 110% do CDI é ótimo para a parte de renda fixa de médio prazo da sua carteira, mas não substitui a reserva de emergência (que precisa de liquidez diária e zero volatilidade) nem os objetivos de longo prazo, que pedem diversificação com Tesouro IPCA+, fundos e até renda variável.
Conclusão e próximo passo
Em junho de 2026, com Selic a 14,5%, CDI a 14,40% e a Resolução CMN 5.238/2025 esfriando as taxas mais agressivas, um CDB de 110% do CDI volta a ocupar um espaço estratégico: rende bem, é simples de entender, conta com FGC e bate poupança, Tesouro Selic e Caixinha Nubank tradicional em prazos a partir de um ano. Pra quem não tem acesso à Caixinha Turbo 120%, é uma das melhores alternativas líquidas do mercado hoje.
Antes de aplicar, faça duas coisas: simule o cenário com o seu próprio valor e prazo, e compare o CDB que está na sua tela com outras opções de renda fixa. Em vez de confiar no marketing do banco, deixe a matemática decidir.
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