CDB prefixado ou pós-fixado em 2026? Com a Selic em queda, qual rende mais
Depois de meses no topo, a taxa básica de juros começou a virar a chave. Na reunião encerrada em 17 de junho de 2026, o Copom reduziu a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano — o terceiro corte do ciclo. E o mercado já projeta mais quedas pela frente: a expectativa é que a Selic feche 2026 perto de 13,75%, recue para cerca de 12% em 2027 e chegue a algo em torno de 10,25% em 2028.
Esse movimento muda completamente a conta de quem investe em renda fixa. Enquanto a Selic estava subindo ou parada lá no alto, deixar o dinheiro num CDB que paga 100% do CDI era quase imbatível. Mas quando os juros começam a cair, surge a pergunta que está dominando as buscas neste meio de ano: vale mais a pena travar a taxa agora num CDB prefixado ou continuar no pós-fixado atrelado ao CDI?
A resposta não é a mesma para todo mundo — depende do prazo, do objetivo e, principalmente, do que você acredita que vai acontecer com os juros. Neste guia, a gente explica a diferença na prática, mostra simulações com R$ 10 mil, R$ 50 mil e R$ 100 mil, e te dá um caminho para decidir com mais segurança.
A diferença entre prefixado e pós-fixado
No CDB pós-fixado, a rentabilidade acompanha um índice — quase sempre o CDI, que anda colado na Selic (hoje em torno de 14,15% ao ano). Se você investe em um CDB que paga 100% do CDI, você ganha exatamente a variação do CDI no período. O lado bom é que, quando os juros sobem, seu rendimento sobe junto. O lado ruim aparece agora: quando o CDI cai, sua rentabilidade cai junto, mês a mês.
Já no CDB prefixado, a taxa é travada no momento da aplicação e vale até o vencimento, não importa o que aconteça com a Selic depois. Hoje é possível encontrar CDBs prefixados pagando algo entre 14% e 14,8% ao ano para prazos de 2 a 3 anos. Travar 14,40% por dois anos significa garantir esse rendimento mesmo que o CDI desabe para 10% no meio do caminho.
É exatamente aí que mora a oportunidade do momento: o prefixado te permite “congelar” os juros altos de hoje antes que eles encolham.
Simulação: quem rende mais com a Selic caindo
Vamos a um exemplo realista, de dois anos de aplicação. De um lado, um CDB prefixado de 14,40% ao ano, travado. Do outro, um CDB pós-fixado de 100% do CDI, supondo que o CDI médio caia para cerca de 13% no primeiro ano e 11% no segundo, em linha com as projeções de queda da Selic. Em ambos, considera-se o Imposto de Renda de 15% (alíquota mínima, para aplicações acima de 720 dias).
Para R$ 10.000: o prefixado entrega cerca de R$ 12.624 líquidos (lucro de R$ 2.624), enquanto o pós-fixado fica em torno de R$ 12.162 líquidos (lucro de R$ 2.162). Vantagem de aproximadamente R$ 463 para o prefixado.
Para R$ 50.000: o prefixado rende cerca de R$ 63.121 líquidos contra R$ 60.808 líquidos do pós-fixado — uma diferença de R$ 2.313 a favor de travar a taxa.
Para R$ 100.000: o prefixado chega a aproximadamente R$ 126.243 líquidos (lucro de R$ 26.243), contra R$ 121.616 líquidos (lucro de R$ 21.616) do pós-fixado. São cerca de R$ 4.627 de diferença em dois anos.

O ponto de equilíbrio: quando o pós-fixado ganharia
A matemática por trás disso é simples. O CDB prefixado de 14,40% só perde para o pós-fixado de 100% do CDI se o CDI médio ficar acima de 14,40% ao ano durante todo o período. Ou seja: o pós-fixado só vence se a Selic, em vez de cair, subir ou se mantiver acima do patamar atual por muito tempo.
Como o cenário projetado é justamente o contrário — Selic em direção a 13,75%, 12% e depois 10,25% nos próximos anos — o prefixado leva vantagem na maioria das simulações de prazo mais longo. Cada corte de 0,25 ponto na Selic reduz, por exemplo, cerca de R$ 213 por ano no rendimento líquido de quem tem R$ 100 mil em um CDB pós-fixado. Esse é o “vazamento” que o prefixado evita.
Quando o pós-fixado (e o Tesouro Selic) ainda fazem sentido
Travar a taxa não é a melhor opção para todo dinheiro. Para a reserva de emergência — aquele dinheiro que você pode precisar a qualquer momento — o pós-fixado com liquidez diária e o Tesouro Selic continuam imbatíveis. Eles não sofrem com a chamada marcação a mercado: você resgata quando quiser sem risco de perder valor, e o rendimento simplesmente acompanha a nova Selic.
O prefixado, por outro lado, costuma ter prazo de vencimento. Se você precisar resgatar antes, pode vender o título com deságio e até sair no prejuízo, dependendo de como os juros se moveram. Por isso, a regra de ouro é: prefixado só com dinheiro que você tem certeza de que não vai precisar antes do vencimento.
Uma estratégia equilibrada para 2026 costuma ser dividir: manter a reserva de emergência no pós-fixado/Tesouro Selic com liquidez diária, e alocar a parte de prazo mais longo — aquela que você não vai mexer — em prefixados, travando os juros altos de hoje antes que eles caiam.
Como decidir sem depender de achismo
A melhor forma de não errar é colocar os números na ponta do lápis para o seu caso específico: seu valor, seu prazo e a taxa que o seu banco ou corretora está oferecendo de verdade hoje. Pequenas diferenças de taxa e de prazo mudam bastante o resultado final por causa dos juros compostos e da alíquota do Imposto de Renda.
Antes de aplicar, simule os dois cenários lado a lado. Compare quanto um CDB que paga um percentual do CDI realmente entrega no líquido, projete o efeito dos juros compostos ao longo dos anos e veja quanto o seu aporte mensal pode render no tempo. Decidir com dados na mão é o que separa quem aproveita o ciclo de juros de quem só observa.
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