LCI e LCA Isentas de IR em 2026: Quanto Rendem e Quanto um CDB Precisa Pagar Para Empatar

LCI e LCA Isentas de IR em 2026: Quanto Rendem de Verdade e Quanto um CDB Precisa Pagar Para Empatar

Com a Selic em 14,25% ao ano depois do terceiro corte seguido do Copom, em 17 de junho de 2026, a renda fixa continua atraente — mas a conversa mudou. Cada vez mais investidores estão olhando para LCIs e LCAs, os títulos que continuam isentos de Imposto de Renda para pessoa física mesmo após toda a discussão sobre nova tributação. A pergunta que aparece em peso nas buscas é simples: vale mais a pena uma LCI isenta ou um CDB que paga uma porcentagem maior do CDI, só que com imposto?

A resposta não é “depende” no vácuo. Existe uma conta exata que mostra quanto um CDB precisa render para empatar com uma LCI isenta — e quando você entende essa conta, para de cair em propaganda de “120% do CDI” sem saber se aquilo é mesmo melhor do que uma LCA modesta de 92% do CDI sem imposto nenhum.

Neste guia, você vai ver quanto rendem de verdade a LCI e a LCA hoje, como funciona a isenção, e a fórmula prática para comparar qualquer LCI com qualquer CDB ou Caixinha do Nubank. Tudo com números reais de 2026 e exemplos que você pode reproduzir em segundos nas nossas calculadoras gratuitas.

O que são LCI e LCA (e por que a isenção muda tudo)

LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) são títulos de renda fixa emitidos por bancos para financiar, respectivamente, o setor imobiliário e o agronegócio. Na prática, funcionam parecido com um CDB: você empresta dinheiro ao banco e recebe juros, geralmente atrelados a uma porcentagem do CDI.

A diferença que importa está no imposto. No CDB, no Tesouro Selic e na Caixinha do Nubank, o lucro sofre Imposto de Renda regressivo: 22,5% para resgates em até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias. Já na LCI e na LCA, o rendimento cai 100% no seu bolso — zero de IR. Em 2026, a regra de isenção segue valendo: a proposta de tributar novas emissões não avançou e esses títulos continuam livres de imposto para a pessoa física.

Por isso, comparar uma LCI de 92% do CDI com um CDB de 100% do CDI olhando só a “porcentagem do CDI” é um erro clássico. O número que conta é o rendimento líquido, depois do imposto. E é aí que a LCI muitas vezes vira o jogo.

Quanto rende uma LCI/LCA hoje com a Selic a 14,25%

Com a Selic em 14,25% ao ano, o CDI está rodando em torno de 14,15% ao ano. Uma LCI ou LCA típica que paga 92% do CDI rende, portanto, cerca de 13,02% ao ano, líquido e isento. Veja o que isso significa na prática para uma aplicação de R$ 5.000 deixada por 12 meses:

LCI/LCA a 92% do CDI: R$ 5.000 viram R$ 5.650,90 — lucro de R$ 650,90, sem nenhum imposto.
Poupança (cerca de 8,2% ao ano): R$ 5.000 viram apenas R$ 5.410,70 — lucro de R$ 410,70.
CDB a 100% do CDI (com IR de 17,5%): R$ 5.000 viram R$ 5.583,69 líquidos — lucro de R$ 583,69.

Repare: a LCA de 92% do CDI rendeu mais líquido do que o CDB de 100% do CDI, mesmo “pagando menos por cento do CDI”. É a isenção fazendo o trabalho. E a diferença para a poupança é gritante — mais de R$ 240 a favor da LCI numa aplicação modesta de R$ 5 mil em apenas um ano.

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Foto: Pexels | Comparar o rendimento líquido é o que separa uma boa escolha de uma propaganda bonita.

A fórmula: quanto um CDB precisa pagar para empatar com a LCI

Aqui está o pulo do gato. Para saber se um CDB realmente vence uma LCI isenta, você precisa “trazer” a taxa da LCI para o equivalente bruto antes do imposto. A conta é direta: divida a taxa isenta pela fração que sobra depois do IR.

Pegando nossa LCI de 92% do CDI (13,02% ao ano isento), o CDB equivalente — aquele que entregaria o mesmo líquido — precisa pagar:

Resgate em até 180 dias (IR 22,5%): CDB de ~119% do CDI
De 181 a 360 dias (IR 20%): CDB de ~115% do CDI
De 361 a 720 dias (IR 17,5%): CDB de ~112% do CDI
Acima de 720 dias (IR 15%): CDB de ~108% do CDI

Em outras palavras: se um banco te oferece um CDB de “110% do CDI” para resgatar em um ano, ele ainda perde para uma LCA simples de 92% do CDI isenta. Para o CDB realmente valer mais a pena nesse prazo, ele teria que pagar 112% do CDI ou mais. Quanto menor o prazo, maior o imposto e mais alto precisa ser o percentual do CDB — por isso a isenção da LCI brilha especialmente no curto e médio prazo.

E em valores maiores? O exemplo de R$ 20 mil

A vantagem da isenção cresce junto com o valor aplicado. Numa aplicação de R$ 20.000 por 12 meses, a LCI de 92% do CDI entrega R$ 22.603,60 (lucro de R$ 2.603,60, sem imposto). O CDB de 100% do CDI, no mesmo período, deixa R$ 22.334,75 líquidos depois do IR. São quase R$ 270 de diferença a favor da LCI — só porque um paga imposto e o outro não.

Multiplique isso por prazos maiores e juros compostos e a distância fica ainda mais relevante. Por isso, ao montar sua reserva ou seus objetivos de médio prazo, vale sempre comparar o líquido — e não a manchete do percentual do CDI.

Pontos de atenção antes de migrar tudo para LCI/LCA

A isenção é poderosa, mas não é o único critério. Antes de aplicar, observe três coisas. Primeiro, a liquidez: muitas LCIs e LCAs têm carência (90 dias, 6 meses ou mais) e não permitem resgate a qualquer momento — diferente da Caixinha do Nubank ou de um CDB de liquidez diária. Para a reserva de emergência, liquidez vale mais do que meio ponto de rendimento.

Segundo, a garantia: LCI, LCA e CDB são cobertos pelo FGC até R$ 250 mil por CPF e por instituição, então o risco é parecido. Terceiro, o percentual oferecido: existem LCIs ruins de 80% do CDI e excelentes de 95% ou mais — vale comparar entre bancos e corretoras. A regra é simples: pegue o percentual da LCI, compare com o CDB equivalente da nossa fórmula e veja quem ganha no líquido para o seu prazo.

Em resumo: com a Selic a 14,25%, a renda fixa isenta voltou a ser uma das estrelas de 2026. Mas a escolha certa depende de fazer a conta do líquido, não de seguir a propaganda. E essa conta você faz em segundos.

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