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Calculadora de Pensão Alimentícia
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Resposta rápida
A pensão alimentícia não tem percentual fixo em lei. O juiz decide pelo binômio necessidade de quem recebe e possibilidade de quem paga, e os 30% que todo mundo cita são apenas o costume da prática forense. O que muda muito o valor final é a base escolhida: 30% sobre o salário bruto de R$ 4.500 dá R$ 1.350, enquanto os mesmos 30% sobre o líquido dão R$ 1.220,55. Use a calculadora acima com a renda, o percentual e o número de filhos.
Sobre esta calculadora
A calculadora de pensão alimentícia do SimulaDinheiro mostra quanto sai por mês a partir da renda de quem paga, do percentual combinado e do número de filhos. Ela desconta INSS e Imposto de Renda pelas tabelas de 2026 quando a base é o salário líquido, informa o valor que cabe a cada filho e o que resta no bolso do alimentante depois de todos os descontos.

O que é e para que serve a Calculadora de Pensão Alimentícia
Pensão alimentícia é a quantia que uma pessoa paga para sustentar quem depende dela — na maioria dos casos, filhos menores de idade. O valor pode ser combinado entre as partes e homologado em cartório ou na Justiça, ou definido pelo juiz quando não há acordo. Ao contrário do que muita gente imagina, o Código Civil não estabelece percentual algum: o artigo 1.694 fala em alimentos "na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada", o chamado binômio necessidade x possibilidade.
Na prática, os acordos costumam fixar um percentual da renda de quem paga, e é aí que aparece a dúvida que esta calculadora resolve: incide sobre o bruto ou sobre o líquido? Fixar sobre o líquido é o mais comum, porque considera o que a pessoa realmente recebe depois do INSS e do Imposto de Renda. Fixar sobre o bruto resulta num valor maior e é usado quando se quer proteger o alimentado de reduções no salário declarado. Preencha a renda, escolha a base, informe o percentual e o número de filhos e a ferramenta mostra o total, o valor por criança e quanto sobra.
Comparação: pensão sobre o líquido x sobre o bruto, por faixa de renda
Fixar a pensão sobre o salário líquido ou sobre o bruto muda bastante o valor final. A tabela abaixo mostra os dois cenários para um acordo comum de 30% da renda, dividido entre 2 filhos, considerando 2 dependentes no Imposto de Renda:
| Renda bruta | 30% sobre o líquido | 30% sobre o bruto | Diferença |
|---|---|---|---|
| R$ 3.000,00 | R$ 825,42 | R$ 900,00 | R$ 74,58 |
| R$ 4.500,00 | R$ 1.220,55 | R$ 1.350,00 | R$ 129,45 |
| R$ 6.000,00 | R$ 1.523,30 | R$ 1.800,00 | R$ 276,70 |
| R$ 8.000,00 | R$ 1.843,47 | R$ 2.400,00 | R$ 556,53 |
A diferença cresce junto com a renda, porque o IRRF pesa mais nas faixas mais altas. É por isso que fixar sobre o bruto costuma aparecer quando há histórico de renda declarada abaixo da real.
Metodologia do cálculo
O cálculo parte da renda bruta mensal informada. Quando a base escolhida é o salário líquido, a calculadora aplica primeiro a tabela progressiva do INSS de 2026 — 7,5% até R$ 1.621,00, 9% até R$ 2.902,84, 12% até R$ 4.354,27 e 14% até o teto de R$ 8.475,55, cada alíquota incidindo apenas sobre a parcela da faixa. Em seguida aplica a tabela do Imposto de Renda retido na fonte, comparando a dedução legal (INSS mais R$ 189,59 por dependente) com o desconto simplificado de R$ 607,20 e usando o que for mais vantajoso, e por fim subtrai o redutor criado pela Lei 15.270/2025, que zera o imposto para quem ganha até R$ 5.000 por mês.
Sobre a base resultante aplica-se o percentual informado. O total é dividido pelo número de filhos para chegar ao valor individual, e o que resta da renda líquida depois da pensão aparece como sobra. Exemplo fechado: renda bruta de R$ 4.500, dois dependentes, base líquida e 30% de pensão. O INSS fica em R$ 431,51 e o Imposto de Renda em zero por causa do redutor, o que dá um líquido de R$ 4.068,49. A pensão de 30% sai por R$ 1.220,55, ou R$ 610,27 por filho, restando R$ 2.847,94 para quem paga.
Simulações com valores diferentes
Para uma renda líquida de R$ 4.068,49 (bruto de R$ 4.500, 2 dependentes), veja como o percentual escolhido muda o valor por filho:
| % da pensão | Pensão total | Com 1 filho | Com 2 filhos | Com 3 filhos | Sobra |
|---|---|---|---|---|---|
| 15% | R$ 610,27 | R$ 610,27 | R$ 305,14 | R$ 203,42 | R$ 3.458,22 |
| 20% | R$ 813,70 | R$ 813,70 | R$ 406,85 | R$ 271,23 | R$ 3.254,79 |
| 25% | R$ 1.017,12 | R$ 1.017,12 | R$ 508,56 | R$ 339,04 | R$ 3.051,37 |
| 30% | R$ 1.220,55 | R$ 1.220,55 | R$ 610,27 | R$ 406,85 | R$ 2.847,94 |
Evolução: o que muda se a renda do alimentante subir
Como a pensão em percentual acompanha a renda, ela sobe (ou desce) automaticamente quando o salário muda — sem precisar de nova ação judicial. O cenário abaixo é ilustrativo, supondo reajustes de 5% ao ano sobre uma renda inicial de R$ 4.500 (base líquida, 30%, 2 filhos):
| Ano | Renda bruta | Renda líquida | Pensão (30%) | Por filho |
|---|---|---|---|---|
| Hoje | R$ 4.500,00 | R$ 4.068,49 | R$ 1.220,55 | R$ 610,27 |
| Ano 1 | R$ 4.725,00 | R$ 4.261,99 | R$ 1.278,60 | R$ 639,30 |
| Ano 2 | R$ 4.961,25 | R$ 4.465,16 | R$ 1.339,55 | R$ 669,77 |
Já uma pensão fixada em valor fixo não acompanha esse aumento sozinha — perde poder de compra com a inflação até que alguém peça correção ou revisão. Fixada em salários mínimos, ela reajusta junto com o mínimo, não com a renda real de quem paga.
Avisos importantes
Os valores são estimativas para orientação e não substituem cálculo judicial, planilha de contador ou parecer de advogado. A pensão alimentícia é definida caso a caso pelo juiz ou por acordo entre as partes, e pode ser fixada em percentual da renda, em número de salários mínimos ou em valor fixo. A incidência sobre 13º, férias, horas extras e verbas rescisórias depende do que a decisão ou o acordo determinar. As tabelas de INSS e Imposto de Renda usadas são as vigentes em 2026, incluindo o redutor da Lei 15.270/2025. Consulte um advogado ou a Defensoria Pública da sua cidade para o caso concreto.
Isso não é orientação financeira
Este simulador é uma ferramenta educativa e não substitui parecer de advogado, cálculo judicial ou perícia contábil. Cada caso de pensão alimentícia tem particularidades que só um profissional pode avaliar.
Sobre os dados que você digita
Esta calculadora não pede login, CPF ou qualquer dado de identificação — só os números necessários para o cálculo aparecerem na tela.
Glossário: termos da pensão alimentícia
- Alimentante: quem paga a pensão.
- Alimentando: quem recebe a pensão.
- Binômio necessidade-possibilidade: critério do art. 1.694 do Código Civil — o valor deve equilibrar a necessidade de quem recebe com a possibilidade de quem paga.
- Ação de alimentos: processo judicial para fixar a pensão quando não há acordo entre as partes.
- Ação revisional de alimentos: processo para aumentar, reduzir ou encerrar uma pensão já fixada, usado quando a renda de uma das partes muda de forma relevante.
- Exoneração de alimentos: decisão judicial que extingue formalmente a obrigação de pagar pensão.
- Execução de alimentos: cobrança judicial de pensão em atraso, que pode incluir prisão civil do devedor.
- Desconto em folha: quando a pensão é descontada diretamente do salário de quem paga e repassada pelo empregador.
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Qual é o percentual da pensão alimentícia?
Não existe percentual fixo na lei. O juiz decide pelo binômio necessidade de quem recebe e possibilidade de quem paga. Os 30% que muita gente cita são apenas o costume da prática forense, e o valor pode ficar bem abaixo ou bem acima disso conforme o caso.
A pensão é calculada sobre o salário bruto ou líquido?
Depende do que o acordo ou a sentença determinar. O mais comum é fixar sobre o salário líquido, ou seja, o que sobra depois dos descontos obrigatórios de INSS e Imposto de Renda. Por isso a calculadora deixa você escolher a base.
A pensão incide sobre 13º salário e férias?
Quando o valor é fixado em percentual do salário, a regra geral é que a pensão incide também sobre 13º salário, férias com o terço constitucional e horas extras. Verbas indenizatórias, como o aviso prévio indenizado e as férias indenizadas na rescisão, costumam ficar de fora, mas isso depende do que a decisão disser.
Quem paga pensão pode deduzir no Imposto de Renda?
Sim, mas apenas a pensão fixada por decisão judicial, acordo homologado ou escritura pública de divórcio. Pensão paga por acordo informal não é dedutível. Quem recebe declara o valor como rendimento tributável.
O que acontece se a pensão não for paga?
O atraso de até três prestações pode levar à prisão civil do devedor, além de protesto, penhora de bens e desconto direto na folha de pagamento. A execução é feita na Justiça e não depende de novo processo de conhecimento.
Estratégias e alternativas
É melhor fixar a pensão em percentual da renda ou em valor fixo?
Cada modelo tem vantagem: percentual acompanha automaticamente aumentos e quedas de renda, sem precisar de nova ação. Valor fixo dá previsibilidade, mas perde valor com a inflação e exige correção ou ação revisional se a renda de quem paga mudar muito. Salários mínimos também se ajustam sozinhos, mas ao reajuste do mínimo, não à renda real.
Dá para pedir desconto direto na folha de pagamento?
Sim, e é o formato mais comum quando o alimentante é CLT ou servidor público: o juiz determina o desconto direto ao empregador, o que reduz a inadimplência. Para autônomos ou PJ, a cobrança costuma ser por depósito mensal.
Como funciona a pensão para quem tem renda variável ou é autônomo?
Sem salário fixo para basear o percentual, é comum o juiz fixar um valor mensal com base numa média de renda apresentada, ou pedir declaração periódica — alguns acordos preveem um piso mínimo mais um percentual sobre ganhos extras comprovados.
Evitando armadilhas
Posso reduzir a pensão sozinho se perder renda?
Não. Mudar o valor por conta própria pode configurar inadimplência, com os riscos de uma execução. Perda de renda comprovada é motivo para pedir revisão judicial (ação revisional), mas o valor antigo continua valendo até sair a decisão.
A pensão acaba automaticamente quando o filho completa 18 anos?
Não necessariamente. A Súmula 358 do STJ estabelece que a maioridade, por si só, não extingue a obrigação — é preciso decisão judicial, geralmente nos mesmos autos, e é comum a pensão continuar se o filho ainda estuda ou não tem meios próprios de sustento.
O que fazer se a pensão atrasar, além de esperar?
Vale negociar um acordo de pagamento antes de partir para a Justiça. Se não houver acordo, a execução de alimentos admite prisão civil do devedor (art. 528 do CPC) para as parcelas mais recentes, além de protesto e inclusão em cadastros de inadimplentes.
