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Consórcio ou Financiamento: Qual Sai Mais Barato
Preencha os campos e clique em Calcular para ver os dois lado a lado — com juros, taxa de administração e o custo de esperar a contemplação.
Resposta rápida
Num imóvel de R$ 400 mil com R$ 80 mil de entrada em 360 meses, o financiamento a 11,40% ao ano custa R$ 922 mil e o consórcio com taxa de 20% custa R$ 480 mil. Parece decidido — mas o consórcio só entrega a carta na contemplação, e se você pagar R$ 2.000 de aluguel até lá, são mais R$ 358 mil. Mesmo assim o consórcio segue na frente nesse caso, porque trinta anos de juros custam mais que qualquer taxa de administração. Em prazos curtos a conta se inverte. Rode a sua.
Sobre esta calculadora
A calculadora de consórcio ou financiamento do SimulaDinheiro põe as duas opções lado a lado com o que realmente pesa: juros, taxa de administração, entrada, lance, prazo e — o que ninguém mais faz — o custo de esperar a contemplação. Ela usa SAC no imóvel e Price no carro, que é o que se pratica no mercado, mostra a parcela mês a mês nos dois e diz quanto cada um custa no fim. Se você informar o aluguel que paga hoje, ela refaz a comparação incluindo o que sai do seu bolso enquanto o consórcio não é contemplado.
O que é e para que serve a Calculadora de Consórcio ou Financiamento

A propaganda do consórcio se apoia em duas palavras: sem juros. É verdade, e é incompleto. O consórcio troca juros por taxa de administração, que costuma ficar entre 15% e 25% da carta de crédito e é diluída nas parcelas — numa carta de R$ 400 mil com taxa de 20%, são R$ 80 mil. Some a isso o fundo de reserva, de 1% a 5%, os seguros e a taxa de adesão, e o “sem juros” vira um custo bastante concreto, ainda que geralmente menor que o de um financiamento longo.
Mas a diferença que mais importa não é de preço, e sim de tempo. No financiamento você recebe as chaves ou o carro no primeiro dia e paga por trinta anos. No consórcio você paga desde o primeiro mês e só recebe a carta quando for contemplado, por sorteio ou por lance — e lance não garante nada, é uma disputa com o resto do grupo. Enquanto isso, quem queria sair do aluguel continua pagando aluguel, e quem precisava do carro continua sem carro. Comparar apenas o custo total dos dois, como quase todo simulador faz, ignora justamente isso. Existe ainda um terceiro ponto que raramente aparece: as parcelas não têm o mesmo tamanho. No exemplo do imóvel, o consórcio pede R$ 1.111 por mês e o financiamento começa em R$ 3.781. Essa diferença de quase R$ 2.700 mensais é dinheiro que fica disponível — e que pode ser investido.
Comparação: consórcio, financiamento ou comprar à vista?
Comprar à vista elimina juros e taxa de administração, mas exige ter o valor total disponível — algo que a maioria não tem. Veja como as três opções se comparam no mesmo cenário de imóvel usado na “Resposta rápida” (R$ 400 mil, entrada de R$ 80 mil, 360 meses, financiamento a 11,40% a.a., consórcio com taxa de 20%, contemplado aos 180 meses, aluguel de R$ 2.000/mês até lá):
| Opção | Custo total | Observação |
|---|---|---|
| Comprar à vista | R$ 400.000,00 | Sem juros nem taxas — mas exige o capital todo hoje |
| Consórcio (ajustado pelo aluguel da espera) | R$ 838.000,00 | R$ 480.000,00 de carta + R$ 358.000,00 de aluguel em 179 meses de espera |
| Financiamento (SAC) | R$ 921.978,00 | Entrada + parcelas com juros decrescentes sobre o saldo |
Em prazos mais curtos a conta muda: no mesmo imóvel financiado em 120 meses (10 anos) em vez de 360, o financiamento total cai para R$ 531.218,00, mais barato que o consórcio ajustado (R$ 598.000,00) — porque há menos tempo para os juros do financiamento crescerem, mas o aluguel da espera do consórcio segue acumulando do mesmo jeito.
Simulações com valores diferentes
| Cenário | Financiamento | Consórcio ajustado | Vencedor |
|---|---|---|---|
| Moto R$ 20.000, entrada R$ 4.000, 36x, 25,60%a.a., contemplado no mês 6 | R$ 26.300,00 | R$ 23.600,00 | Consórcio (por R$ 2.700,00) |
| Carro R$ 60.000, entrada R$ 12.000, 48x, 22%a.a., contemplado no mês 1 | R$ 82.174,00 | R$ 70.800,00 | Consórcio (por R$ 11.374,00) |
| Imóvel R$ 400.000, entrada R$ 160.000, 120x, 11,40%a.a., contemplado no mês 60 | R$ 531.218,00 | R$ 598.000,00 | Financiamento (por R$ 66.782,00) |
Evolução conforme o mês de contemplação (imóvel R$ 400 mil, entrada R$ 80 mil, 360 meses, aluguel R$ 2.000/mês)
O consórcio custa fixo R$ 480.000,00 de carta, mas cada mês de espera soma mais aluguel. Veja em que ponto o financiamento (fixo em R$ 921.978,00) passa a ser mais barato:
| Mês da contemplação | Aluguel pago na espera | Consórcio ajustado | Vencedor |
|---|---|---|---|
| Mês 12 | R$ 22.000,00 | R$ 502.000,00 | Consórcio (por R$ 419.978,00) |
| Mês 36 | R$ 70.000,00 | R$ 550.000,00 | Consórcio (por R$ 371.978,00) |
| Mês 60 | R$ 118.000,00 | R$ 598.000,00 | Consórcio (por R$ 323.978,00) |
| Mês 120 | R$ 238.000,00 | R$ 718.000,00 | Consórcio (por R$ 203.978,00) |
| Mês 180 | R$ 358.000,00 | R$ 838.000,00 | Consórcio (por R$ 83.978,00) |
| Mês 240 | R$ 478.000,00 | R$ 958.000,00 | Financiamento (por R$ 36.022,00) |
| Mês 300 | R$ 598.000,00 | R$ 1.078.000,00 | Financiamento (por R$ 156.022,00) |
Nesse cenário, a virada acontece entre o mês 180 e o mês 240 de espera — quanto mais demorada a contemplação, menor a vantagem do consórcio.
Metodologia do cálculo
No financiamento, a taxa anual é convertida em mensal de forma geométrica, elevando-a a um doze avos, e não dividindo por doze. No SAC, usado no imóvel, a amortização é constante — o valor financiado dividido pelo número de meses — e os juros incidem sobre o saldo devedor, que cai a cada mês: a parcela começa alta e vai diminuindo. Na Price, usada no carro, a parcela é fixa e sai da fórmula clássica de anuidade. O custo total é a soma das parcelas mais a entrada.
No consórcio, o total devido é a carta multiplicada por um mais a taxa de administração. O lance é abatido desse total e o restante é dividido pelo número de parcelas. O mês de contemplação define quanto tempo você fica pagando sem ter o bem, e é daí que sai o custo de esperar: o aluguel informado multiplicado pelos meses de espera. A comparação honesta soma esse aluguel ao total do consórcio antes de confrontá-lo com o financiamento.
Um exemplo completo. Imóvel de R$ 400 mil, entrada de R$ 80 mil, 360 meses. No financiamento SAC a 11,40% ao ano, a primeira parcela é de R$ 3.780,73, a última de R$ 896,92, os juros somam R$ 521.978 e o custo total chega a R$ 921.978. No consórcio com taxa de 20%, o total é de R$ 480.000, a parcela fica em R$ 1.111,11 e a taxa de administração custa R$ 80.000. Com contemplação na metade do prazo e aluguel de R$ 2.000, a espera de 179 meses adiciona R$ 358.000 — o consórcio vai a R$ 838.000 e continua à frente. Reduza o prazo do financiamento e a conta se inverte, porque os juros despencam enquanto a taxa de administração não muda.
Avisos importantes
Isso não é orientação financeira
Esta calculadora tem finalidade educativa. Taxas de juros, taxas de administração e prazos de contemplação variam por instituição, administradora e grupo de consórcio — sempre compare propostas reais e simule o seu próprio cenário antes de decidir.
Os valores apresentados são apenas estimativas e podem variar bastante na prática. A simulação não aplica a correção anual das parcelas do consórcio, que sobem todo ano junto com a carta pelo INCC nos imóveis e por IPCA ou IGP-M nos automóveis — o custo real do consórcio tende a ser maior que o mostrado. Também ficam de fora o fundo de reserva, os seguros e a taxa de adesão do consórcio, e o IOF, as tarifas de avaliação e os seguros MIP e DFI do financiamento, que no imobiliário pesam todo mês. A comparação é de valores nominais somados, sem trazer os fluxos a valor presente, e supõe que você consegue honrar as parcelas nos dois cenários. Sobretudo: a contemplação não tem data — planejar o consórcio contando com um mês específico é o erro mais caro que se pode cometer aqui. Esta ferramenta tem fins educativos e não é recomendação de compra ou de crédito.
Sobre os dados que você digita
Os valores do bem, entrada, prazo, taxas e aluguel informados são usados apenas para o cálculo exibido na tela — nada é armazenado ou enviado a terceiros.
Glossário
- Taxa de administração: percentual cobrado pela administradora do consórcio sobre o valor da carta, diluído nas parcelas — substitui os juros do financiamento.
- Contemplação: momento em que o participante do consórcio recebe a carta de crédito, seja por sorteio mensal ou por lance.
- Lance: valor oferecido para tentar antecipar a contemplação, que pode ser livre (recurso próprio) ou embutido (descontado da própria carta).
- Custo de espera: gasto (normalmente aluguel) que o participante do consórcio tem enquanto aguarda a contemplação e ainda não pode usar o bem.
- SAC: Sistema de Amortização Constante, usado em financiamento imobiliário — parcelas decrescentes, amortização fixa.
- Price: sistema de parcelas fixas, usado em financiamento de veículos.
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Consórcio é mais barato que financiamento?
Em custo nominal, quase sempre sim, porque a taxa de administração costuma ficar entre 15% e 25% da carta enquanto os juros de um financiamento longo somam muito mais. Num imóvel de R$ 400 mil em 360 meses a 11,40% ao ano, o financiamento custa cerca de R$ 922 mil e o consórcio com taxa de 20%, R$ 480 mil. A conta muda quando se considera que o consórcio só entrega o bem na contemplação — e que até lá você continua pagando aluguel ou ficando sem o carro.
O que é a taxa de administração e quanto ela custa?
É a remuneração da administradora pela gestão do grupo, cobrada como percentual da carta de crédito e diluída nas parcelas. Costuma ficar entre 15% e 25% no consórcio imobiliário e entre 15% e 20% no de automóveis. Numa carta de R$ 400 mil com taxa de 20%, são R$ 80 mil ao longo do plano. Ela não é juros, mas é custo — e é o que faz o consórcio não ser de graça.
O lance garante a contemplação?
Não. O lance é uma oferta em disputa com os outros participantes do grupo: quem oferece mais leva. Um lance alto aumenta muito a chance, mas não assegura nada, e essa é a principal incerteza do consórcio. Sem sorteio nem lance vencedor, você pode chegar ao fim do prazo ainda pagando e sem ter recebido a carta.
As parcelas do consórcio sobem?
Sim, todo ano. A carta de crédito é corrigida anualmente — pelo INCC nos consórcios de imóvel, por IPCA ou IGP-M nos de automóvel — para não perder valor frente à inflação, e as parcelas sobem junto. Como a taxa de administração é um percentual da carta, ela também cresce em reais. Esta calculadora não aplica essa correção, então o custo real do consórcio tende a ser maior do que o mostrado.
O que é fundo de reserva no consórcio?
É uma contribuição coletiva, geralmente de 1% a 5% da carta, que cobre inadimplência e despesas eventuais do grupo. Diferente da taxa de administração, não é remuneração da administradora: o que sobrar é devolvido proporcionalmente aos participantes no encerramento do grupo. Ainda assim, entra no seu fluxo de caixa mensal.
SAC ou Price: qual sistema o financiamento usa?
No financiamento imobiliário brasileiro predomina o SAC, em que a amortização é constante e a parcela começa alta e cai todo mês, resultando em menos juros no total. No financiamento de veículos predomina a Price, com parcela fixa do começo ao fim. Esta calculadora usa SAC para imóvel e Price para carro, que é o que se pratica no mercado.
Vale a pena fazer consórcio para comprar um imóvel?
Faz sentido para quem não tem pressa, já mora em imóvel próprio ou paga aluguel baixo, e quer disciplina de poupança sem pagar juros. Faz menos sentido para quem precisa do imóvel agora ou paga aluguel alto, porque cada mês de espera é dinheiro que sai sem construir patrimônio. A pergunta certa não é qual é mais barato no papel, mas quanto custa esperar no seu caso.
Estratégias e alternativas
Comprar à vista sempre é a opção mais barata?
Em termos nominais, sim — sem juros e sem taxa de administração, o custo é só o valor do bem. Mas poucas pessoas têm o valor total disponível sem comprometer a reserva de emergência ou outros objetivos. A conta muda quando você considera o custo de oportunidade: se o dinheiro que pagaria o bem à vista renderia mais aplicado do que o financiamento ou consórcio custam, pode valer mais a pena manter o capital investido.
Dá pra usar o FGTS no consórcio de imóvel?
Sim, o FGTS pode ser usado tanto para dar lance quanto para amortizar ou quitar o saldo devedor após a contemplação, seguindo as mesmas regras de uso do FGTS em financiamento habitacional (imóvel residencial, dentro do valor-teto do SFH).
Posso desistir do consórcio depois de entrar no grupo?
Sim, mas normalmente você só recebe o valor pago de volta (descontada a taxa de administração) ao final do grupo, não na hora da desistência — isso pode levar anos. É um dos principais riscos de liquidez do consórcio frente ao financiamento.
Evitando armadilhas
Como aumentar a chance de ser contemplado mais cedo?
As duas formas são o sorteio mensal (mesma chance para todos os cotistas ativos) e o lance — livre ou embutido (usando parte da própria carta de crédito como lance). Dar um lance maior aumenta a chance de contemplação, mas reduz o crédito líquido disponível.
Qual armadilha mais gente cai ao escolher entre os dois?
Comparar só a taxa de administração do consórcio com os juros do financiamento, esquecendo o custo de esperar a contemplação (aluguel, ou o tempo sem usar o bem). Como mostra a tabela de evolução acima, esse custo de espera pode inverter completamente qual opção sai mais barata.
