13º salário 2026: quanto rende a 1ª parcela de R$ 3 mil no CDB e na poupança

Cofrinho de cerâmica cercado de moedas sobre fundo marrom, representando guardar a primeira parcela do 13º salário

Resposta rápida

A primeira parcela do 13º salário de 2026 precisa cair na conta até 30 de novembro e vem sem descontos: para quem ganha R$ 6.000, são R$ 3.000 limpos. Com o CDI a 13,65% ao ano, esses R$ 3.000 num CDB de 100% do CDI rendem R$ 337,84 líquidos em 12 meses (já com 17,5% de IR), contra R$ 250,29 na poupança. Mas se você aplicar no fim de novembro e sacar na segunda parcela, em 18 de dezembro, o IOF e o IR deixam só uns R$ 9 de rendimento.

O que mudou: as datas do 13º salário em 2026

O 13º salário (a gratificação de Natal) é pago em duas parcelas. A primeira pode ser paga de fevereiro a novembro, e o prazo final em 2026 é segunda-feira, 30 de novembro. Ela corresponde à metade do salário e chega sem desconto de INSS nem de Imposto de Renda. Quem pediu o adiantamento junto com as férias já recebeu essa metade e não recebe de novo em novembro.

A segunda parcela tem prazo legal até 20 de dezembro. Em 2026 essa data cai num domingo, então o pagamento precisa sair antes: a referência passa a ser sexta-feira, 18 de dezembro, como mostrou a cobertura do portal ND Mais no início de outubro. Empresas podem pagar antes, e acordos coletivos podem prever outras condições.

É na segunda parcela que entram os descontos obrigatórios. O INSS é calculado sobre o 13º inteiro, e o Imposto de Renda do 13º é tributado exclusivamente na fonte, separado do salário do mês. Por isso a segunda parcela costuma ser bem menor que a primeira — e dividir o salário por dois não é uma boa estimativa do que vai sobrar em dezembro.

Por que a primeira parcela é o melhor dinheiro para investir

A primeira parcela tem duas vantagens. Ela vem cheia, sem desconto nenhum, e chega antes das compras de Natal, quando a tentação de gastar ainda não está no auge. Para muita gente, é o único momento do ano em que entra uma quantia “extra” de uma vez.

Na renda fixa, a régua é o CDI, que anda colado na taxa Selic. Com a Selic em 13,75% ao ano desde a reunião do Copom de 16 de setembro de 2026, o CDI anualizado ficou em 13,65%. Um CDB que paga 100% do CDI acompanha essa taxa todo dia útil. Já a poupança segue a regra fixa de 0,5% ao mês mais a TR enquanto a Selic estiver acima de 8,5%. Nas contas abaixo usamos cerca de 0,67% ao mês para a poupança, o equivalente a uns 8,3% ao ano.

A diferença importante é o imposto. CDB e Tesouro Direto pagam Imposto de Renda sobre o rendimento, pela tabela regressiva: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias. A poupança é isenta. Mesmo assim, como você vai ver, o CDB ganha com folga.

A conta: quanto rendem R$ 3.000 da primeira parcela

Simulamos R$ 3.000 — a primeira parcela de quem ganha R$ 6.000 por mês — aplicados de uma vez, com o CDI de 13,65% ao ano constante durante todo o período. Os valores de CDB já estão com o IR descontado.

  • 6 meses: o CDB de 100% do CDI rende R$ 198,20 brutos, paga R$ 39,64 de IR (20%) e entrega R$ 158,56 líquidos. CDB de 110% do CDI: R$ 174,98 líquidos. Poupança: R$ 122,64.
  • 12 meses: o CDB de 100% do CDI rende R$ 409,50 brutos, paga R$ 71,66 de IR (17,5%) e entrega R$ 337,84 líquidos. CDB de 110% do CDI: R$ 453,39 brutos, R$ 79,34 de IR, R$ 374,05 líquidos. Poupança: R$ 250,29.
  • 24 meses: o CDB de 100% do CDI rende R$ 874,90 brutos, paga R$ 131,23 de IR (15%) e entrega R$ 743,66 líquidos. CDB de 110% do CDI: R$ 975,31 brutos, R$ 146,30 de IR, R$ 829,01 líquidos. Poupança: R$ 521,46.

Em um ano, o CDB de 100% do CDI coloca R$ 87,55 a mais no bolso do que a poupança sobre os mesmos R$ 3.000. No CDB de 110%, a vantagem chega a R$ 123,76. Em dois anos, o CDB de 110% entrega R$ 307,55 a mais. Em percentual, o CDB de 100% do CDI rende cerca de 11,26% líquidos em 12 meses; a poupança, cerca de 8,34%.

Se o seu salário for diferente, a regra é proporcional: quem ganha R$ 4.000 recebe R$ 2.000 na primeira parcela, e o rendimento fica em dois terços dos valores acima; quem ganha R$ 10.000 recebe R$ 5.000, e o rendimento é 5/3 maior.

Cofrinho de cerâmica cercado de moedas sobre fundo marrom, representando guardar a primeira parcela do 13º salário
Foto: Diane Helentjaris / Unsplash | Guardar a primeira parcela do 13º no CDB rende mais que deixar na poupança.

A pegadinha: aplicar em novembro e sacar em dezembro

Muita gente pensa em “deixar rendendo” a primeira parcela só até a segunda chegar, para depois gastar tudo junto no Natal. A conta mostra que isso quase não vale nada num CDB comum.

Entre 30 de novembro e 18 de dezembro de 2026 são apenas 13 dias úteis. Nesse prazo, R$ 3.000 a 100% do CDI rendem cerca de R$ 19,87 brutos. Como o resgate acontece com 18 dias corridos, entra o IOF regressivo, que nesse dia leva 40% do rendimento (R$ 7,95). Depois vem o IR de 22,5% sobre o que sobrou (R$ 2,68). Resultado: cerca de R$ 9,24 líquidos.

Não é prejuízo — o dinheiro não encolhe —, mas mostra que o rendimento só aparece de verdade quando o dinheiro fica parado por meses. O IOF zera a partir do 30º dia, e o IR cai conforme o prazo aumenta. Se o plano é gastar em dezembro, a decisão que mais pesa não é onde aplicar, e sim se vale a pena gastar.

Outras armadilhas na hora de usar o 13º

  • Contar com a segunda parcela cheia: ela vem com INSS e IR descontados. Faça o cálculo antes de assumir parcelas de compras de fim de ano.
  • Investir com dívida cara aberta: o CDB de 100% do CDI rende cerca de 0,88% ao mês líquido (com IR de 17,5%). Qualquer dívida que cobre mais que isso — rotativo do cartão, cheque especial, crédito pessoal — custa mais do que o investimento rende. Quitar a dívida vem primeiro.
  • Deixar na poupança “por segurança”: CDB de banco grande e Tesouro Selic têm segurança comparável para o pequeno investidor (CDB coberto pelo FGC até o limite de R$ 250 mil por CPF por instituição; Tesouro garantido pelo governo federal) e rendem mais.
  • Cair em CDB que paga pouco: com o CDI a 13,65%, um CDB precisa pagar algo perto de 75% do CDI só para empatar com a poupança no prazo de um ano. Abaixo disso, a poupança ganha.
  • Esquecer as contas de janeiro: IPVA, IPTU, material escolar e matrícula chegam logo depois do Natal. Guardar parte do 13º para essas despesas evita juros no começo do ano.

Estratégia prática para o seu 13º

Uma divisão simples funciona para a maioria das pessoas:

  1. Dívidas caras primeiro. Se tem rotativo ou cheque especial, a primeira parcela deve ir para lá. Nenhum investimento de renda fixa paga o que essas linhas cobram.
  2. Reserva de emergência em seguida. Sem dívidas, a primeira parcela vai inteira para a reserva, num lugar com liquidez diária e rendimento de pelo menos 100% do CDI (CDB de liquidez diária, Tesouro Selic ou conta remunerada que pague isso).
  3. Contas de janeiro separadas. Da segunda parcela, guarde o valor previsto de IPVA, IPTU e despesas escolares, também em aplicação com liquidez.
  4. Só então o Natal. O que sobrar é dinheiro livre para presentes e festas, sem parcelar.

Se a reserva já estiver completa, aí sim vale buscar prazos maiores: um CDB de 110% do CDI por dois anos transforma R$ 3.000 em R$ 3.829,01 líquidos, com IR de apenas 15%.

Faça a conta com o seu dinheiro

Os números acima usam um salário de R$ 6.000 e um CDI constante de 13,65% ao ano. Na vida real, o CDI muda a cada reunião do Copom — a próxima é em novembro —, o percentual do CDI varia de banco para banco e o valor da sua parcela depende do seu salário e dos meses trabalhados no ano. Por isso vale simular com os seus números antes de decidir onde colocar o 13º.

Comece descobrindo quanto você vai receber em cada parcela e, depois, compare quanto esse valor rende em cada aplicação, no prazo em que você realmente pode deixar o dinheiro parado.

Calculadoras que podem te ajudar