Empréstimo pessoal a 8,55% ao mês: quanto custam R$ 5 mil em 12 parcelas em 2026

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Resposta rápida

Segundo o levantamento do Procon-SP com taxas de 2 de outubro de 2026, os juros médios do empréstimo pessoal nos grandes bancos estão em 8,55% ao mês (167,69% ao ano). Nessa taxa, quem pega R$ 5.000 em 12 parcelas paga R$ 682,50 por mês, devolve R$ 8.190,05 no total e entrega R$ 3.190,05 só de juros — mais de 60% do valor emprestado. A diferença entre o banco mais barato (5,86% ao mês) e o mais caro (10,72% ao mês) da pesquisa chega a R$ 2.016,91 no mesmo empréstimo.

O que mudou: os juros do empréstimo pessoal em outubro de 2026

O Procon-SP divulgou sua pesquisa mensal de juros para pessoa física, que acompanha seis bancos: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú, Safra e Santander. As taxas foram coletadas em 2 de outubro de 2026 e consideram a taxa máxima pré-fixada para cliente não preferencial, em empréstimo pessoal de 12 meses e cheque especial de 30 dias.

O resultado: a taxa média do empréstimo pessoal caiu 0,11 ponto percentual, de cerca de 8,66% para 8,55% ao mês. Quem puxou a média para baixo foi o Banco do Brasil, que cortou sua taxa de 7,43% para 5,86% ao mês e passou a ter a menor taxa da pesquisa. No sentido contrário, o Bradesco subiu de 9,79% para 10,72% ao mês e virou a taxa mais alta. Caixa (8,00%), Itaú (9,49%), Safra (7,25%) e Santander (9,99%) mantiveram as taxas.

No cheque especial nada mudou: todos os seis bancos cobram 8% ao mês, o teto definido pela regulamentação do Banco Central, o que equivale a 151,82% ao ano.

O pano de fundo é a Selic. Em 16 de setembro de 2026 o Copom cortou a taxa básica em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano. Mas repare na distância: a Selic dá algo perto de 1,08% ao mês, enquanto o empréstimo pessoal médio cobra quase oito vezes isso.

Por que 8,55% ao mês vira 167% ao ano

Juros de empréstimo são compostos: cada mês, a taxa incide sobre o saldo que ainda está devendo. Por isso não basta multiplicar 8,55% por 12 (o que daria 102,6%). A conta certa é (1 + 0,0855)12 − 1, que dá cerca de 167% ao ano — o número que o Procon-SP divulgou foi 167,69%, calculado a partir da média das taxas anuais de cada banco.

Na prática, a maior parte do empréstimo é paga pela Tabela Price: parcelas fixas, em que no começo você paga muito juro e pouca dívida. Na primeira parcela de R$ 682,50 do exemplo abaixo, R$ 427,50 são juros e só R$ 255,00 abatem os R$ 5.000. Com o tempo essa proporção se inverte.

A conta: quanto custam R$ 5 mil em 12 parcelas em cada banco

Simulamos um empréstimo de R$ 5.000 em 12 parcelas fixas (Tabela Price) com as taxas da pesquisa do Procon-SP. Os valores não incluem IOF e tarifas, que entram no Custo Efetivo Total (CET) e deixam o empréstimo ainda mais caro.

Taxa (ao mês) Parcela Total pago Juros pagos
Banco do Brasil – 5,86% R$ 591,82 R$ 7.101,79 R$ 2.101,79
Cheque especial – 8,00%* R$ 663,48 R$ 7.961,70 R$ 2.961,70
Média dos 6 bancos – 8,55% R$ 682,50 R$ 8.190,05 R$ 3.190,05
Bradesco – 10,72% R$ 759,89 R$ 9.118,71 R$ 4.118,71

*O cheque especial não tem parcelas fixas; a linha mostra quanto custaria pagar R$ 5.000 de cheque especial em 12 prestações iguais, só para comparar a taxa.

Três leituras importantes dessa tabela:

  • Escolher o banco vale mais de R$ 2 mil. No mesmo empréstimo de R$ 5.000, o cliente do banco mais caro paga R$ 2.016,91 a mais do que o do mais barato.
  • Na média, você devolve R$ 1,64 para cada R$ 1 emprestado. São R$ 8.190,05 para receber R$ 5.000.
  • O cheque especial esquecido é pior ainda. Se você deixar R$ 5.000 no cheque especial por 12 meses sem pagar nada, a 8% ao mês a dívida vira R$ 12.590,85. Em só três meses ela já passa de R$ 6.298.

Para comparar com o outro lado da moeda: os mesmos R$ 5.000 aplicados num CDB de 100% do CDI (com o CDI perto de 13,65% ao ano) rendem cerca de R$ 563,06 líquidos em 12 meses, já com 17,5% de IR. Ou seja, o juro que você paga no empréstimo médio é quase seis vezes o que o mesmo dinheiro renderia investido.

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E se eu quitar antes? A conta da quitação antecipada

O Código de Defesa do Consumidor garante que, ao antecipar parcelas ou quitar o contrato, você tenha redução proporcional dos juros. No empréstimo médio de R$ 5.000 a 8,55%, depois de pagar 6 das 12 parcelas o saldo para quitar fica em torno de R$ 3.103,17. Se você seguisse pagando, desembolsaria mais R$ 4.095,03. Quitar nesse momento economiza aproximadamente R$ 991,85 em juros.

Por isso, se entrar um dinheiro extra — 13º salário, restituição, venda de algo parado —, usar parte dele para antecipar parcelas de um empréstimo caro costuma ser o “investimento” de maior retorno disponível: cada real antecipado deixa de pagar 8,55% ao mês.

Armadilhas na hora de pegar um empréstimo pessoal

  • Olhar só a parcela. “Cabe no bolso” não quer dizer barato. Compare sempre o total pago e o CET, que inclui IOF, tarifas e seguros.
  • Esticar o prazo para baixar a parcela. Na taxa média, R$ 5.000 em 24 meses dão parcelas de R$ 496,86, mas os juros saltam para R$ 6.924,68 — mais que o próprio valor emprestado. Em 6 meses, a parcela é de R$ 1.099,69 e os juros caem para R$ 1.598,12.
  • Aceitar a primeira oferta do app. A pesquisa mostra taxa máxima para cliente não preferencial. Dependendo do seu relacionamento, a oferta pode ser menor — ou maior. Simule em mais de um banco.
  • Seguro embutido. Seguro prestamista não é obrigatório na maioria dos casos. Se vier marcado, pergunte e peça a retirada se não quiser.
  • Usar empréstimo para cobrir gasto do mês. Se a conta não fecha todo mês, o empréstimo só adia o problema e acrescenta juros.
  • Pegar empréstimo e deixar o dinheiro parado. Nenhuma aplicação segura rende 8,55% ao mês. Pegar empréstimo “para garantir” é perder dinheiro com certeza.

Estratégia prática: como pagar menos juros

  1. Troque dívida cara por dívida barata. Se você está no rotativo do cartão ou no cheque especial, um empréstimo pessoal mais barato pode reduzir o custo. Se tiver acesso a consignado, que costuma ter taxas bem menores, compare antes.
  2. Peça o CET por escrito e compare pelo menos três bancos. Na pesquisa, a diferença entre o mais barato e o mais caro passa de 80%.
  3. Escolha o menor prazo que cabe no orçamento. Quanto menos meses, menos juros compostos.
  4. Use dinheiro extra para antecipar parcelas. Comece pelas últimas: o desconto de juros é maior.
  5. Monte a reserva de emergência depois de quitar. Se em vez de pagar R$ 682,50 de parcela você guardasse esse valor num investimento a 100% do CDI, em cerca de 8 meses teria mais de R$ 5.000 — sem pagar um centavo de juros ao banco.

Faça a conta com o seu dinheiro

Os números acima usam R$ 5.000, prazo de 12 meses e as taxas máximas coletadas pelo Procon-SP em 2 de outubro de 2026. A sua taxa pode ser diferente: depende do banco, do seu histórico de crédito, do prazo escolhido e do relacionamento com a instituição. Além disso, IOF, tarifas e seguros entram no CET e aumentam o custo final.

Antes de assinar, converta a taxa mensal oferecida em taxa anual, simule o custo do cheque especial se você está usando o limite e veja em quanto tempo consegue sair da dívida com o valor que sobra no seu orçamento.

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