O consórcio rende dinheiro?
Resposta
Não. O consórcio não é investimento: as parcelas vão para um fundo comum do grupo, e o rendimento dessa aplicação fica no grupo, não na sua conta.
O consórcio rende dinheiro apenas de forma indireta. Pela Lei 11.795/2008, as parcelas formam o fundo comum do grupo, aplicado em instituição financeira, e os rendimentos ficam nesse fundo. O consorciado só recebe rendimento sobre o crédito contemplado e ainda não usado, ou na devolução de valores quando é excluído. A carta é atualizada pelo índice do contrato, o que não é lucro.
Exemplo prático
Paulo entra num consórcio de carta de R$ 100.000,00, em 100 meses, com taxa de administração de 15% (exemplo; cada administradora define a sua). Sem considerar reajustes, fundo de reserva e seguro:
- Parcela: (R$ 100.000 + 15%) ÷ 100 = R$ 1.150,00
- Total pago em 100 meses: R$ 115.000,00
- Crédito recebido: R$ 100.000,00, atualizado pelo índice do contrato
Se, em vez disso, Paulo aplicasse R$ 1.150,00 por mês a 100% do CDI (13,65% ao ano, cerca de 1,07% ao mês), teria cerca de R$ 204.300 em 100 meses, antes do Imposto de Renda. O consórcio serve para comprar um bem, não para fazer o dinheiro crescer.
Compare o custo do consórcio com o de um financiamento na calculadora consórcio ou financiamento.
Abrir a calculadora: Consórcio ou FinanciamentoMuita gente vê o consórcio como uma forma de "guardar dinheiro". Mas o consórcio rende dinheiro? Para o participante, não no sentido de um investimento. O consórcio é uma forma de compra: um grupo de pessoas paga parcelas mensais para formar um fundo, e a cada assembleia alguns participantes são contemplados com o crédito para comprar o bem.
Consórcio rende dinheiro: o que diz a lei
A Lei 11.795/2008 define o consórcio como a reunião de pessoas em grupo, com prazo e número de cotas definidos, organizada por uma administradora, para permitir a compra de bens ou serviços por autofinanciamento. As parcelas pagas formam o fundo comum do grupo.
Esse dinheiro não fica parado: a administradora deve depositá-lo em instituição financeira e aplicá-lo conforme as regras do Banco Central (art. 26). Mas os rendimentos dessa aplicação passam a integrar o próprio fundo comum (art. 25), servindo para pagar créditos aos contemplados e devoluções. Ou seja, o rendimento é do grupo, não de cada consorciado individualmente.
Consórcio rende quanto?
Não existe uma rentabilidade para o consorciado. O que acontece é a atualização do crédito: a carta corresponde ao valor do bem previsto no contrato na data da assembleia de contemplação (art. 24). Se o bem ou o índice de referência sobe, a carta sobe junto, mas as parcelas também são reajustadas. Isso protege o poder de compra, não gera lucro.
Além disso, há custos que não existem num investimento:
- Taxa de administração, que remunera a administradora. Pela Súmula 538 do STJ, as administradoras têm liberdade para fixá-la, mesmo acima de 10%.
- Fundo de reserva, se previsto no contrato, usado só nas finalidades contratuais.
- Seguro, quando o contrato prevê.

Consórcio contemplado rende juros?
Aqui há uma exceção. Depois de contemplado, enquanto você não usa o crédito, ele fica aplicado e recebe os rendimentos financeiros líquidos do período entre a disponibilização e a utilização (art. 24, §1º, da Lei 11.795/2008).
Para grupos formados a partir de 1º de janeiro de 2024, a Resolução BCB 285/2023 prevê ainda que, se o crédito não for usado em 180 dias após a contemplação, o consorciado pode recebê-lo em dinheiro, desde que quite suas obrigações com o grupo e a administradora. Grupos mais antigos seguem as regras anteriores.
E quem sai do consórcio?
O consorciado excluído que não foi contemplado tem direito à devolução do que pagou ao fundo comum, calculada sobre o percentual amortizado do bem e acrescida dos rendimentos da aplicação (art. 30). Não há devolução da taxa de administração. E o valor só é pago quando a cota do excluído é contemplada para restituição, ou no encerramento do grupo.
Se o seu objetivo é fazer o dinheiro render, compare com aplicações de renda fixa. Se o objetivo é comprar um bem sem pagar juros de financiamento e você pode esperar, o consórcio pode fazer sentido.
Para que o consórcio serve
- Comprar um bem sem juros de financiamento, pagando taxa de administração.
- Criar disciplina de poupança para quem tem dificuldade de guardar.
- Planejar uma compra sem pressa, aceitando a incerteza de quando será contemplado.
Para comparar o custo do consórcio com o de um financiamento, use a calculadora consórcio ou financiamento.
Compare o custo do consórcio com o de um financiamento na calculadora consórcio ou financiamento.
Abrir a calculadora: Consórcio ou FinanciamentoPerguntas relacionadas
Consórcio rende quanto por mês?
Nada para o consorciado, porque o consórcio não é investimento. O rendimento da aplicação das parcelas fica no fundo comum do grupo, e a carta é apenas atualizada pelo índice do contrato.
Consórcio contemplado rende juros?
Sim. Enquanto o crédito contemplado não é usado, ele recebe os rendimentos financeiros líquidos do período, segundo o art. 24, §1º, da Lei 11.795/2008.
Quem desiste do consórcio recebe o dinheiro com rendimento?
O excluído recebe o que pagou ao fundo comum, sobre o percentual amortizado do bem, acrescido dos rendimentos da aplicação. A taxa de administração não é devolvida, e o pagamento ocorre na contemplação da cota para restituição ou no encerramento do grupo.
Consórcio é melhor que poupança para guardar dinheiro?
Não para fazer o dinheiro render, porque o consórcio cobra taxa de administração e não paga rendimento ao participante. Ele serve para comprar um bem; para guardar dinheiro, aplicações de renda fixa são mais adequadas.
Outras dúvidas sobre o tema
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Fontes oficiais consultadas
- Lei nº 11.795/2008 (Sistema de Consórcios) — Planalto
- Banco Central — Voto 4/2023–BCB com a minuta da Resolução BCB nº 285/2023 (consórcios)
Conteúdo informativo, revisado em 9 de outubro de 2026 com base na legislação e em páginas oficiais. Não substitui a orientação de advogado, contador ou do órgão responsável para o seu caso.
