Resposta rápida
O governo propôs um salário mínimo de R$ 1.741 em 2027, R$ 120 a mais que os R$ 1.621 de 2026 (alta de 7,4%). Quem guardar 10% dele (R$ 174,10 por mês) num CDB que paga 100% do CDI junta cerca de R$ 2.209 líquidos em 12 meses, R$ 14.049 em 5 anos e R$ 39.321 em 10 anos, já descontado o Imposto de Renda — contra R$ 28.674 na poupança no mesmo prazo de 10 anos. As contas consideram o CDI a 13,65% ao ano constante, o que é uma simplificação.
O que mudou: a proposta de R$ 1.741 para 2027
Em 24 de agosto de 2026, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que o salário mínimo deve passar de R$ 1.621 para R$ 1.741 em janeiro de 2027. São R$ 120 a mais por mês, um reajuste nominal de 7,4% — segundo a CNN Brasil, isso representa um ganho real de cerca de 2,4% acima da inflação.
O valor entrou no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, enviado ao Congresso até 31 de agosto. Segundo a Agência Câmara, o número ainda será revisto quando sair o índice de inflação acumulado até novembro, e o Congresso tem até 22 de dezembro para votar o Orçamento. Ou seja: R$ 1.741 é a proposta oficial de hoje, mas o valor final pode variar alguns reais para cima ou para baixo.
A regra de reajuste em vigor soma duas coisas: a inflação medida pelo INPC em 12 meses até novembro do ano anterior e o crescimento do PIB de dois anos antes. Esse ganho real é limitado pelas regras do arcabouço fiscal.
Quem sente o novo mínimo no bolso
O salário mínimo não é só o piso de quem tem carteira assinada. Ele serve de referência para uma série de pagamentos, e por isso cada real de aumento mexe com milhões de pessoas:
- Trabalhadores que ganham o piso: o contracheque bruto sobe R$ 120 por mês.
- Aposentados e pensionistas do INSS que recebem o piso: nenhum benefício pode ser menor que o salário mínimo, então quem ganha o piso passa a receber R$ 1.741.
- BPC (Benefício de Prestação Continuada): o valor do benefício é de um salário mínimo.
- Seguro-desemprego: a parcela mínima também acompanha o salário mínimo.
- Abono salarial (PIS/Pasep): o valor máximo é de um salário mínimo, pago proporcionalmente aos meses trabalhados.
- MEI: a contribuição ao INSS dentro do DAS é de 5% do salário mínimo. Com R$ 1.741, essa parte sobe de R$ 81,05 para R$ 87,05 por mês (o DAS ainda soma R$ 1 de ICMS e/ou R$ 5 de ISS, conforme a atividade).
Para quem recebe o mínimo com carteira assinada, o aumento de R$ 120 por mês vira R$ 1.560 a mais no ano, contando o 13º salário (13 × R$ 120).
Por que guardar uma parte do salário faz diferença (explicação simples)
Pouca gente consegue investir valores grandes de uma vez. O caminho mais comum é separar um pedaço fixo de cada salário — e a regra mais conhecida é a dos 10%. Com o mínimo de 2027, isso dá R$ 174,10 por mês.
Parece pouco, mas o dinheiro aplicado em renda fixa rende juros sobre juros. Com a Selic em 13,75% ao ano desde o corte do Copom de 16 de setembro de 2026, o CDI está em torno de 13,65% ao ano, o que equivale a cerca de 1,07% ao mês. Um CDB que paga 100% do CDI acompanha essa taxa; a poupança, com a Selic acima de 8,5%, rende 0,5% ao mês mais a TR.
A diferença entre 1,07% e 0,5% ao mês parece pequena num mês só. Em dez anos, ela vira mais de R$ 10 mil.
A conta: guardando 10% do salário mínimo por mês
Premissas usadas na simulação:
- Depósito de R$ 174,10 todo mês (10% de R$ 1.741).
- CDB a 100% do CDI, com CDI de 13,65% ao ano mantido constante durante todo o período (na prática, ele vai variar com a Selic).
- Imposto de Renda pela tabela regressiva, aplicado a cada depósito conforme o tempo que ele ficou aplicado: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias.
- Poupança calculada com 0,5% ao mês, sem a TR (que costuma somar um pouco), sem IR, pois a poupança é isenta.
| Prazo | Total depositado | CDB 100% do CDI (líquido) | Poupança |
|---|---|---|---|
| 12 meses | R$ 2.089,20 | R$ 2.209,36 | R$ 2.158,36 |
| 5 anos | R$ 10.446,00 | R$ 14.049,12 | R$ 12.207,70 |
| 10 anos | R$ 20.892,00 | R$ 39.320,73 | R$ 28.674,05 |
Em 10 anos, quem deposita R$ 20.892 no CDB termina com R$ 39.320,73 líquidos — quase o dobro do que tirou do bolso. Na poupança, o mesmo esforço vira R$ 28.674,05. A diferença, de R$ 10.646,68, é o preço de deixar o dinheiro parado na aplicação mais tradicional do país.
No primeiro ano a vantagem do CDB é menor (cerca de R$ 51), porque boa parte dos depósitos ainda paga 22,5% ou 20% de IR. Com o tempo, o imposto cai para 15% e os juros compostos ganham força.

E se você investir só os R$ 120 do aumento?
Outra estratégia simples é manter o padrão de vida de 2026 e mandar o reajuste inteiro para o investimento. Com R$ 120 por mês nas mesmas condições:
| Prazo | Total depositado | CDB 100% do CDI (líquido) | Poupança |
|---|---|---|---|
| 12 meses | R$ 1.440,00 | R$ 1.522,82 | R$ 1.487,67 |
| 5 anos | R$ 7.200,00 | R$ 9.683,49 | R$ 8.414,27 |
| 10 anos | R$ 14.400,00 | R$ 27.102,17 | R$ 19.763,85 |
Ou seja, o aumento que muita gente nem percebe no orçamento pode virar mais de R$ 27 mil em uma década, se for direto para um investimento que acompanha o CDI.
Armadilhas antes de comemorar o aumento
- O valor ainda não é definitivo. R$ 1.741 está no projeto de Orçamento. O número pode mudar depois da inflação de novembro e da votação no Congresso. Refaça a conta em janeiro.
- Aumento nominal não é aumento real inteiro. Dos 7,4%, a maior parte apenas repõe a inflação. O ganho de poder de compra estimado é de cerca de 2,4%.
- Os descontos também mudam. O salário de quem tem carteira tem desconto de INSS, então o líquido sobe um pouco menos que R$ 120.
- CDI não é fixo. A simulação usa 13,65% ao ano por dez anos. Se a Selic continuar caindo, o rendimento real será menor — e a vantagem sobre a poupança também diminui, embora tenda a continuar existindo.
- Cuidado com o CDB errado. Prefira CDBs com liquidez diária e garantia do FGC (até R$ 250 mil por CPF e instituição). CDB que paga menos de cerca de 75% do CDI pode render menos que a poupança.
- Dívida cara vem primeiro. Se você tem saldo no rotativo do cartão ou no cheque especial, pagar essa dívida rende muito mais do que qualquer CDB.
Estratégia prática para 2027
- Automatize: programe uma transferência para o dia em que o salário cai. O que sai antes de você ver não faz falta.
- Comece pela reserva de emergência: os primeiros meses de depósito devem montar um colchão de 3 a 6 meses de gastos, num CDB de liquidez diária a 100% do CDI ou mais.
- Use o 13º e o reajuste como reforço: parte do 13º salário e os R$ 120 de aumento podem acelerar a meta sem apertar o mês a mês.
- Revise uma vez por ano: a cada novo salário mínimo, ajuste o valor guardado para manter os 10%.
Faça a conta com o seu dinheiro
Cada pessoa tem um valor diferente para guardar e um prazo diferente em mente. Use as calculadoras do SimulaDinheiro para trocar os números da simulação acima — o valor mensal, o percentual do CDI e o tempo — e ver o resultado com o seu cenário. Lembre-se de conferir a taxa do CDI do dia e o valor definitivo do salário mínimo quando ele for publicado.
Calculadoras que podem te ajudar
- Calculadora de investimento no CDI — veja quanto rende seu CDB com IR descontado.
- CDI x Poupança — compare as duas aplicações lado a lado.
- Calculadora de juros compostos — simule depósitos mensais por anos.
- Quanto investir para ter o desejado — descubra quanto guardar por mês para chegar a uma meta.
Fontes: anúncio do Ministério da Fazenda de 24/08/2026 (CNN Brasil e InfoMoney/Reuters), Agência Câmara (PLOA 2027, 31/08/2026) e decisão do Copom de 16/09/2026. Simulações do SimulaDinheiro com CDI de 13,65% ao ano constante; não são promessa de rentabilidade.

