Consignado do INSS a 1,85% ao mês: quanto custam R$ 10 mil em 2026

Casal de idosos analisando documentos e contas em casa antes de contratar um empréstimo consignado do INSS

Resposta rápida

Com o teto de juros do consignado do INSS em 1,85% ao mês (cerca de 24,6% ao ano), um empréstimo de R$ 10 mil em 84 parcelas sai por R$ 235,50 por mês e custa R$ 19.781,66 no total — quase R$ 9.800 só de juros. Em 24 parcelas, a prestação sobe para R$ 519,77, mas os juros caem para R$ 2.474,47. No cartão consignado, cujo teto é de 2,46% ao mês, os mesmos R$ 10 mil em 84 meses custariam R$ 23.747,57. Em outubro de 2026, o STF confirmou que esses tetos continuam valendo.

O que mudou: o STF manteve o teto de juros do consignado do INSS

Os bancos tentaram derrubar no Supremo Tribunal Federal a regra que permite ao governo limitar os juros do empréstimo consignado de aposentados e pensionistas. A ação foi a ADI 7759, apresentada pela associação de bancos ABBC. O Plenário a rejeitou por unanimidade, por 11 votos a 0, em julgamento virtual encerrado no fim de agosto de 2026. O relator foi o ministro Kassio Nunes Marques. A decisão foi divulgada em outubro.

Na prática, continua com o Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) e o INSS o poder de fixar o juro máximo que os bancos podem cobrar de quem recebe benefício. Hoje os tetos são:

  • Empréstimo consignado: 1,85% ao mês, em vigor desde abril de 2025, quando o CNPS subiu o limite de 1,80% para 1,85%;
  • Cartão de crédito consignado e cartão benefício (RMC e RCC): 2,46% ao mês.

A decisão não muda contratos já assinados. Cada contrato segue o teto que valia no dia da contratação. Para quem vai contratar agora, a regra é simples: nenhum banco pode cobrar mais que esses limites.

Como funciona o consignado do INSS, em linguagem simples

No consignado, a parcela é descontada direto do benefício antes de o dinheiro cair na conta. Como o banco quase não corre risco de calote, os juros são bem menores que os do empréstimo pessoal comum ou do rotativo do cartão.

Há um limite para o desconto, a chamada margem consignável. Para aposentados e pensionistas, até 35% do benefício pode ir para parcelas de empréstimo. Os cartões consignados têm margens separadas. Quem já está no limite não consegue contratar um novo empréstimo até liberar margem.

O teto de 1,85% é o máximo, não o preço fixo. Bancos diferentes podem cobrar menos, e vale pedir a proposta em mais de uma instituição. Na proposta, olhe sempre o CET (Custo Efetivo Total). Ele inclui a taxa de juros, o IOF e eventuais tarifas, então costuma ficar um pouco acima da taxa nominal.

A conta: quanto custam R$ 10 mil no consignado a 1,85% ao mês

As parcelas abaixo foram calculadas pela tabela Price, o sistema de prestações fixas usado no consignado, com a taxa no teto de 1,85% ao mês. Os valores não incluem IOF, por isso o CET real fica um pouco acima.

Prazo Parcela mensal Total pago Só de juros
24 meses R$ 519,77 R$ 12.474,47 R$ 2.474,47
48 meses R$ 316,15 R$ 15.175,08 R$ 5.175,08
72 meses R$ 252,45 R$ 18.176,39 R$ 8.176,39
84 meses R$ 235,50 R$ 19.781,66 R$ 9.781,66

Repare no efeito do prazo. De 24 para 84 meses, a parcela cai menos da metade, de R$ 519,77 para R$ 235,50, mas os juros ficam quase quatro vezes maiores. A parcela baixa é confortável, mas no prazo longo você devolve quase o dobro do que pegou.

Em juros compostos, 1,85% ao mês equivale a cerca de 24,6% ao ano. Para comparar, a Selic está em 13,75% ao ano. O consignado é barato para um empréstimo, mas ainda custa bem mais do que qualquer aplicação conservadora rende.

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Consignado x cartão consignado: a diferença em reais

O cartão consignado (RMC) e o cartão benefício (RCC) parecem a mesma coisa, mas o teto deles é de 2,46% ao mês, cerca de 33,9% ao ano. Veja os mesmos R$ 10 mil nas duas modalidades, com parcelas fixas:

Prazo Empréstimo (1,85% a.m.) Cartão consignado (2,46% a.m.) Diferença no total
24 meses R$ 519,77 × 24 = R$ 12.474,47 R$ 556,66 × 24 = R$ 13.359,85 R$ 885,38
48 meses R$ 316,15 × 48 = R$ 15.175,08 R$ 357,27 × 48 = R$ 17.149,13 R$ 1.974,05
84 meses R$ 235,50 × 84 = R$ 19.781,66 R$ 282,71 × 84 = R$ 23.747,57 R$ 3.965,91

Há outro problema: no cartão consignado, o desconto em folha costuma cobrir só o valor mínimo da fatura. Se o restante não for pago, ele vai sendo rolado, e a dívida pode durar muito mais que os prazos da tabela. Por isso o empréstimo consignado tradicional, com parcelas fixas e prazo definido, é quase sempre a opção mais barata e mais previsível.

Quanto cabe no seu benefício

Com a margem de 35% e a taxa no teto, dá para estimar o valor máximo que o banco consegue liberar:

  • Benefício de R$ 1.621 (salário mínimo de 2026): parcela máxima de R$ 567,35. Isso libera cerca de R$ 17.945 em 48 meses ou R$ 24.091 em 84 meses;
  • Benefício de R$ 3.000: parcela máxima de R$ 1.050. Isso libera cerca de R$ 33.212 em 48 meses ou R$ 44.586 em 84 meses.

Isso é o máximo, não uma recomendação. Comprometer 35% de uma aposentadoria de um salário mínimo deixa pouco mais de R$ 1.050 para o resto do mês, por vários anos.

Armadilhas que encarecem o consignado

  • Olhar só a parcela: é o erro mais comum. Uma parcela de R$ 235 parece leve, mas em 84 meses ela custa quase R$ 9.800 de juros sobre R$ 10 mil.
  • Refinanciamento em cadeia: o banco oferece “dinheiro novo” ao refinanciar o contrato antigo, e o prazo recomeça. Você troca uma dívida quase quitada por outra longa, e paga juros de novo sobre o mesmo saldo.
  • Cartão consignado no lugar do empréstimo: como mostra a tabela, o teto é mais alto e a dívida pode se arrastar se você pagar só o mínimo.
  • Contratação por telefone ou com “taxa de liberação”: banco sério não cobra adiantado para liberar empréstimo. Desconfie de ligações oferecendo crédito em seu nome.
  • Ignorar o CET: duas propostas com a mesma taxa nominal podem ter CET diferente por causa de tarifas e seguros embutidos.

Estratégia prática para quem vai contratar

  1. Peça só o valor necessário. Calcule quanto precisa de verdade e não aceite o “limite disponível” só porque ele existe.
  2. Escolha o menor prazo que cabe no orçamento. Trocar 84 por 48 meses aumenta a parcela de R$ 235,50 para R$ 316,15, mas economiza R$ 4.606,58 de juros nos R$ 10 mil.
  3. Compare propostas. Uma taxa de 1,60% em vez de 1,85%, em 84 meses, derruba a parcela de R$ 235,50 para R$ 217,27. São R$ 1.531 a menos no total.
  4. Use o consignado para trocar dívida cara. Faz sentido usar o consignado para quitar rotativo do cartão, cheque especial ou empréstimo pessoal, que cobram bem mais. Não faz sentido para consumo que pode esperar.
  5. Antecipe parcelas quando sobrar dinheiro. Na quitação antecipada, os juros futuros são descontados. No exemplo de 84 meses, depois de 24 parcelas pagas o saldo devedor está em torno de R$ 8.491,62.

Faça a conta com o seu dinheiro

A conta muda com o valor, o prazo e a taxa que o banco oferecer. Antes de assinar, faça três perguntas: qual é o CET mensal, quanto vou pagar no total e quanto disso é juro. Se a taxa vier anual, converta para mensal antes de comparar com o teto de 1,85%. Se você já tem várias dívidas, simule quanto tempo levaria para quitá-las e veja se o consignado realmente encurta esse caminho ou só empurra o problema.

Uma regra útil: se o empréstimo está trocando uma dívida de 8% ou 15% ao mês por uma de 1,85%, a troca tende a valer a pena. Se está só antecipando uma compra, o custo de quase 25% ao ano raramente compensa.

Calculadoras que podem te ajudar

Dúvida comum: o consignado pode ser quitado antes do prazo? Sim, e com desconto dos juros futuros.

Fontes: decisão do STF na ADI 7759 (agosto/2026, divulgada em outubro/2026), Resolução CNPS nº 1.368/2025 e Ministério da Previdência Social. Cálculos do SimulaDinheiro pela tabela Price, sem IOF.